Um especialista em defesa alertou que os Estados Unidos podem enfrentar escassez de munições de alta precisão caso realizem uma nova campanha militar de grande escala contra o Irã. A avaliação foi feita por Mark Cancian, coronel aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e analista do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em entrevista à CNN.
Segundo Cancian, os conflitos recentes consumiram um volume muito elevado de armamentos sofisticados. Os EUA utilizaram milhares de mísseis, incluindo interceptadores do sistema Patriot, mísseis de cruzeiro e outras munições de precisão, tanto em ataques ofensivos quanto na defesa contra drones e mísseis lançados por forças iranianas e grupos aliados.
O especialista destaca que o principal problema não é a falta imediata de armas, mas sim a capacidade limitada da indústria de defesa para repor rapidamente esses estoques. Alguns mísseis exigem meses ou até anos para serem fabricados, o que dificulta manter reservas suficientes caso o conflito se prolongue ou se intensifique.
Além disso, os Estados Unidos precisam dividir seus estoques entre diferentes compromissos militares ao redor do mundo, incluindo o apoio a aliados e a manutenção de sua capacidade de dissuasão em outras regiões estratégicas. Um novo conflito de grande intensidade com o Irã poderia pressionar ainda mais essa logística.
Especialistas ressaltam, porém, que isso não significa que os EUA ficariam completamente sem munições. O alerta refere-se à possibilidade de redução dos estoques de determinados armamentos de alta tecnologia, obrigando o governo a acelerar a produção, priorizar operações ou rever o uso de certos sistemas de armas caso os combates se estendam por um longo período.