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VÍCIO EM APOSTAS PODE TER RAÍZES AINDA NA INFÂNCIA
Por JOAO BISPO
Publicado em 11/07/2026 09:36
Notícia

O vício em apostas, conhecido como transtorno do jogo (ou ludopatia), pode começar a se desenvolver muito antes da primeira aposta com dinheiro. Segundo especialistas em saúde mental, fatores presentes ainda na infância podem aumentar a vulnerabilidade de uma pessoa a desenvolver esse comportamento na vida adulta.

Como a infância influencia?

O cérebro infantil está em fase de desenvolvimento, especialmente as áreas ligadas ao autocontrole e à tomada de decisões. Durante essa fase, algumas experiências podem aumentar o risco de problemas futuros, como:

  • Impulsividade e dificuldade em controlar emoções.
  • Exposição precoce a jogos de azar, mesmo que de forma indireta, ao ver familiares apostando ou normalizando esse hábito.
  • Uso excessivo de jogos com recompensas aleatórias, como loot boxes em videogames, que podem estimular mecanismos semelhantes aos das apostas.
  • Histórico de traumas, negligência ou estresse familiar, que pode levar a comportamentos de busca por prazer imediato.

O papel da dopamina

As apostas ativam o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e expectativa. O problema é que o cérebro pode passar a desejar cada vez mais essa sensação, levando a apostas repetidas, mesmo após grandes perdas.

Curiosamente, estudos mostram que a expectativa de ganhar pode estimular o cérebro tanto quanto a própria vitória, tornando o comportamento altamente repetitivo.

Sinais de alerta

Os especialistas destacam alguns comportamentos que merecem atenção:

  • Necessidade de apostar valores cada vez maiores.
  • Mentir para familiares sobre o dinheiro gasto.
  • Tentar recuperar perdas fazendo novas apostas.
  • Ansiedade ou irritação quando não consegue apostar.
  • Prejuízos financeiros, profissionais ou familiares causados pelo jogo.

A influência das apostas online

Nos últimos anos, aplicativos e plataformas de apostas esportivas facilitaram o acesso ao jogo. Com poucos cliques, qualquer adulto pode apostar a qualquer hora, aumentando o risco de uso compulsivo.

Além disso, publicidade intensa, bônus de cadastro e promoções podem transmitir a falsa impressão de que apostar é uma forma fácil de ganhar dinheiro, quando, na realidade, as chances favorecem as empresas de apostas.

É possível prevenir?

Especialistas recomendam que pais e responsáveis:

  • Conversem abertamente sobre os riscos das apostas.
  • Evitem normalizar jogos de azar dentro de casa.
  • Estimulem atividades esportivas, culturais e sociais.
  • Ensinem educação financeira desde cedo.
  • Observem mudanças de comportamento relacionadas ao uso de dinheiro e de jogos online.

Existe tratamento?

Sim. O transtorno do jogo é reconhecido como um problema de saúde mental e pode ser tratado com acompanhamento psicológico, especialmente por meio da terapia cognitivo-comportamental (TCC). Em alguns casos, também pode ser necessário acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicamentos para controlar impulsividade, ansiedade ou depressão associadas.

Embora nem toda criança exposta a esses fatores desenvolva dependência, reconhecer os sinais precoces e promover um ambiente saudável pode reduzir significativamente o risco de que o hábito de apostar evolua para um vício na vida adulta.

 
 
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