A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou o envio de 10 mil bolsas mortuárias para a Venezuela em resposta à tragédia provocada pelos fortes terremotos que atingiram o país na última semana. A medida reflete a preocupação de que o número de mortos aumente significativamente nos próximos dias, à medida que as equipes de resgate avancem sobre áreas devastadas.
Até o momento, o governo venezuelano confirmou 1.719 mortes, mas o coordenador da ONU no país, Gianluca Rampolla Del Tindaro, afirmou que esse total deve crescer. Segundo ele, mais de 2.500 estruturas foram afetadas, a maioria delas completamente destruída, o que indica que muitas vítimas ainda podem estar sob os escombros.
A ONU informou que a aquisição das bolsas mortuárias foi feita em acordo com as autoridades venezuelanas para garantir que, caso o número de óbitos aumente, haja condições adequadas para a identificação e o manejo dos corpos. O representante da organização ressaltou que espera que o balanço final fique abaixo desse número, mas afirmou que é preciso estar preparado para o pior cenário.
Além da assistência logística, a organização estima que cerca de 50 mil pessoas estejam desaparecidas. Equipes de busca e resgate de 27 países já atuam na Venezuela, reunindo mais de 2 mil socorristas e cerca de 160 cães farejadores. Segundo a ONU, essas equipes conseguiram retirar sobreviventes dos escombros nos últimos dias.
A crise humanitária também afeta milhares de crianças. O Unicef estima que 1,8 milhão de pessoas, incluindo 680 mil crianças, precisem de ajuda urgente. Hospitais operam acima da capacidade, centenas de escolas foram danificadas e há falta de água potável e itens básicos de sobrevivência. Para responder à emergência, a agência calcula que serão necessários cerca de US$ 52 milhões em recursos humanitários.
Os terremotos ocorreram em 24 de junho, quando dois fortes abalos, de magnitudes 7,1 e 7,5, atingiram o norte da Venezuela em um curto intervalo de tempo. Os tremores provocaram o colapso de edifícios, danos generalizados à infraestrutura e uma das maiores operações internacionais de ajuda humanitária já mobilizadas para o país.