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PF DEFLAGRA OPERAÇÃO SOBRE IRREGULARIDADES NAS AMERICANAS
Por JOAO BISPO
Publicado em 25/06/2026 07:45
Notícia

A Polícia Federal deflagrou a Operação Disclosure para investigar a participação de ex-executivos da varejista Americanas em uma das maiores fraudes corporativas já registradas no Brasil. Segundo a PF e o Ministério Público Federal, as irregularidades contábeis podem ter alcançado cerca de R$ 25,3 bilhões.

 

O que a operação investigou?

 

A investigação teve como foco ex-diretores da empresa suspeitos de manipular balanços financeiros para esconder dívidas e melhorar artificialmente a situação financeira da companhia. Entre os principais alvos estavam o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Christina Ramos Saicali.

 

Cerca de 80 policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão e tentaram executar prisões preventivas. Como alguns investigados estavam fora do Brasil, os mandados não puderam ser cumpridos naquele momento.

 

Como funcionava a suposta fraude?

 

De acordo com a PF, parte do esquema envolvia operações conhecidas como risco sacado, mecanismo financeiro utilizado para antecipar pagamentos a fornecedores por meio de bancos. As investigações apontam que essas operações não teriam sido registradas corretamente nos demonstrativos financeiros, ocultando o real nível de endividamento da empresa.

 

Os investigadores também identificaram supostas irregularidades relacionadas a verbas de propaganda cooperada (VPC), com registros de receitas que, segundo a investigação, não existiam de fato.

 

Quais crimes são investigados?

 

A Polícia Federal apontou indícios de:

 

Manipulação de mercado;

Uso de informação privilegiada (insider trading);

Associação criminosa;

Lavagem de dinheiro;

Falsidade documental.

Houve bloqueio de bens?

 

Sim. A Justiça Federal determinou o bloqueio de mais de R$ 500 milhões em bens e valores dos investigados como forma de preservar recursos para eventual reparação dos prejuízos.

 

Por que o caso é tão importante?

 

O escândalo provocou uma crise sem precedentes na Americanas, levando a empresa a entrar com um dos maiores pedidos de recuperação judicial da história do país. O caso afetou investidores, bancos, fornecedores e acionistas, além de levantar discussões sobre governança corporativa e fiscalização do mercado financeiro brasileiro.

 

A investigação continua em andamento, e os suspeitos têm direito à ampla defesa. Até uma decisão definitiva da Justiça, as acusações permanecem sob apuração.

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