A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou um incidente envolvendo material radioativo no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), localizado no campus da USP, em São Paulo. O caso ocorreu em 29 de maio, mas foi divulgado oficialmente nesta semana após investigações e análises técnicas.
Segundo a CNEN, o incidente aconteceu durante procedimentos no Centro de Radiofarmácia do instituto, onde são produzidos materiais utilizados em exames e tratamentos médicos. Vestígios de tecnécio-99, um radioisótopo amplamente empregado na medicina nuclear, foram detectados durante a retirada de sensores de uma autoclave usada no processo produtivo.
Dois trabalhadores tiveram contaminação restrita às roupas, mãos e calçados. Eles passaram por exames de contagem de corpo inteiro e procedimentos de descontaminação. De acordo com a CNEN e o IPEN, não foi encontrada contaminação interna nem risco à saúde dos profissionais envolvidos.
A área afetada foi isolada e permanece sob monitoramento. O relatório da ocorrência será analisado pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), responsável por acompanhar e fiscalizar a segurança nuclear no país.
Apesar de o termo "vazamento radioativo" causar preocupação, os especialistas afirmam que este foi um evento de pequena magnitude, restrito a uma área controlada, sem impacto para a população, para o meio ambiente ou para pessoas fora da instalação.
O caso, no entanto, reacendeu debates sobre protocolos de segurança, transparência e fiscalização em instalações que trabalham com materiais radioativos no Brasil.