Os dados recentes de segurança pública em São Paulo mostram um cenário contraditório — e preocupante: enquanto alguns crimes caem, a violência mais extrema contra mulheres e a atuação letal da polícia seguem em alta.
Feminicídios: crescimento forte e recorde histórico
No 1º trimestre de 2026, o estado registrou:
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86 casos de feminicídio, contra 61 no mesmo período de 2025
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Isso representa um aumento de 41%
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É o maior número já registrado para um trimestre desde o início da série histórica
Os números mês a mês mostram uma escalada:
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Janeiro: 27 casos
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Fevereiro: 29
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Março: 30
Ou seja, não é um pico isolado — há uma tendência de crescimento contínuo ao longo do trimestre.
Além disso, já nos dois primeiros meses do ano:
⚠️ O que explica esse aumento?
Especialistas costumam apontar alguns fatores estruturais:
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Violência doméstica persistente, muitas vezes já denunciada antes do crime
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Falhas em medidas protetivas e prevenção
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Escalada de agressões (ameaças → lesão → morte), que nem sempre é interrompida a tempo
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Cultura de violência de gênero ainda forte
Estudos mostram que o feminicídio raramente é um ato isolado — ele costuma ser o ponto final de um ciclo de violência.
Letalidade policial também em alta
Embora o dado específico do trimestre não apareça detalhado nesses relatórios recentes, o estado de São Paulo já vinha registrando aumento expressivo:
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Em 2024, mortes causadas por policiais cresceram mais de 60%
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Foram centenas de vítimas, com impacto maior sobre jovens e população negra
Esse tipo de indicador é chamado de letalidade policial — e costuma gerar debate porque envolve o equilíbrio entre:
Contradição nos dados de segurança
O mais curioso é que, ao mesmo tempo:
Ou seja:
A violência “geral” pode estar diminuindo
Mas a violência mais extrema e direcionada (contra mulheres e em ações policiais) está aumentando
Como interpretar esse cenário?
Isso revela um ponto importante:
Em especial: