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FEMINICÍDIO CRESCE EM SP EM 2026
Por JOAO BISPO
Publicado em 04/05/2026 08:14
Notícia

Os dados recentes de segurança pública em São Paulo mostram um cenário contraditório — e preocupante: enquanto alguns crimes caem, a violência mais extrema contra mulheres e a atuação letal da polícia seguem em alta.

Feminicídios: crescimento forte e recorde histórico

No 1º trimestre de 2026, o estado registrou:

  • 86 casos de feminicídio, contra 61 no mesmo período de 2025

  • Isso representa um aumento de 41%

  • É o maior número já registrado para um trimestre desde o início da série histórica 

Os números mês a mês mostram uma escalada:

  • Janeiro: 27 casos

  • Fevereiro: 29

  • Março: 30 

Ou seja, não é um pico isolado — há uma tendência de crescimento contínuo ao longo do trimestre.

Além disso, já nos dois primeiros meses do ano:

  • Foram 55 mulheres mortas, quase um feminicídio por dia 

⚠️ O que explica esse aumento?

Especialistas costumam apontar alguns fatores estruturais:

  • Violência doméstica persistente, muitas vezes já denunciada antes do crime

  • Falhas em medidas protetivas e prevenção

  • Escalada de agressões (ameaças → lesão → morte), que nem sempre é interrompida a tempo

  • Cultura de violência de gênero ainda forte

Estudos mostram que o feminicídio raramente é um ato isolado — ele costuma ser o ponto final de um ciclo de violência.

Letalidade policial também em alta

Embora o dado específico do trimestre não apareça detalhado nesses relatórios recentes, o estado de São Paulo já vinha registrando aumento expressivo:

  • Em 2024, mortes causadas por policiais cresceram mais de 60%

  • Foram centenas de vítimas, com impacto maior sobre jovens e população negra 

Esse tipo de indicador é chamado de letalidade policial — e costuma gerar debate porque envolve o equilíbrio entre:

  • combate ao crime

  • e respeito aos direitos humanos

Contradição nos dados de segurança

O mais curioso é que, ao mesmo tempo:

  • Homicídios em geral caíram no trimestre

  • Roubos e furtos também diminuíram 

Ou seja:
A violência “geral” pode estar diminuindo
Mas a violência mais extrema e direcionada (contra mulheres e em ações policiais) está aumentando

Como interpretar esse cenário?

Isso revela um ponto importante:

  • A segurança pública não é homogênea

  • Melhoras em indicadores gerais não significam proteção para todos os grupos

Em especial:

  • Mulheres continuam vulneráveis dentro de casa

  • Jovens (principalmente negros) seguem mais expostos à violência policial

 

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