
Essa é uma das teorias da conspiração mais antigas e repetidas quando o assunto é Carnaval — e também uma das mais “plausíveis” à primeira vista, justamente por misturar fatos reais com interpretações exageradas.
A teoria
Segundo essa visão, o Carnaval funcionaria como uma ferramenta de controle social, uma espécie de válvula de escape coletiva. O argumento central é que o Estado, as elites econômicas e a mídia incentivariam a festa para manter a população distraída, emocionalmente satisfeita e menos propensa a questionar desigualdades, corrupção ou crises políticas.
A lógica segue a ideia do “pão e circo”, herdada da Roma Antiga: oferecer diversão em larga escala para reduzir tensões sociais.
• Os principais argumentos de quem acredita
• Distração temporária: durante dias, temas sérios saem do debate público e dão lugar à festa, celebridades e blocos.
• Descarga controlada de tensões: o excesso, a festa e a transgressão permitida funcionariam como um “alívio” emocional, evitando revoltas reais.
• Cobertura midiática massiva: a mídia dá enorme espaço ao Carnaval, muitas vezes abafando notícias negativas.
Incentivo estatal: governos investem dinheiro público na festa, o que seria visto como estratégia para “acalmar” a população.
Como a teoria costuma evoluir
Algumas versões mais radicais dizem que:
datas importantes ou decisões políticas seriam propositalmente marcadas para o período do Carnaval;
quanto maior a crise, maior o estímulo à festa;
o Carnaval manteria desigualdades ao oferecer apenas ilusão momentânea de liberdade.
O contraponto
Pesquisadores e historiadores costumam rebater dizendo que:
o Carnaval nasceu como festa popular, não como instrumento do poder;
ele também é espaço de crítica política, sátira e protesto (marchinhas, fantasias, sambas-enredo);
a população não “esquece” magicamente problemas estruturais por causa de alguns dias de festa.
Ou seja, fora do campo conspiratório, o Carnaval pode até funcionar como válvula social, mas isso não implica um plano centralizado de controle.