
Como Preservar
Autenticidade e Valor Histórico
A pintura de um carro antigo não é apenas estética. Ela representa identidade histórica, valor de coleção e fidelidade ao período de fabricação. Diferente da pintura automotiva moderna, os veículos clássicos utilizavam materiais, processos e acabamentos específicos, que hoje exigem técnicas especializadas para serem reproduzidos com precisão.
O que é pintura original em carros antigos?
Pintura original é aquela que respeita fielmente:
• O tipo de tinta utilizado na época
O método de aplicação
• O acabamento final (brilho, textura, espessura)
• As imperfeições naturais do processo antigo
Em muitos casos, uma pintura “perfeita demais” reduz o valor histórico do veículo.
• Tipos de tintas utilizadas originalmente
1. Laca nitrocelulose
Muito comum até os anos 1950/60.
• Características:
Secagem rápida por evaporação
Brilho menos profundo
• Necessidade de várias demãos
• Menor resistência química
Aplicação original:
• Pistolas simples
• Polimento manual após cura
• Aparência mais “viva”, porém menos uniforme
• Hoje, essa tinta é difícil de encontrar e regulamentada em muitos países, sendo usada apenas em restaurações especializadas.
2. Esmalte sintético
Predominante entre as décadas de 1960 e 1980.
Características:
• Cura mais lenta
Brilho moderado
Boa resistência mecânica
Espessura maior por demão
Técnica clássica:
Aplicação mais “carregada”
Nivelamento natural durante a cura
Menor necessidade de verniz
3. Acrílico monocamada
Usado principalmente a partir do final dos anos 1970.
Características:
Brilho superior ao esmalte
Sem verniz separado
Polimento como etapa essencial
Muito confundido com sistemas modernos, mas possui comportamento bem diferente dos PU atuais.
Preparação de superfície: o segredo invisível
Nos carros antigos, a preparação era menos padronizada que hoje, mas extremamente manual.
Decapagem química ou lixamento direto no metal
Uso de fundos fosfatizantes ou primers simples
Correções de funilaria com solda e estanho (não massa plástica moderna)
A fidelidade exige evitar materiais que não existiam na época, sempre que possível.
Técnicas de aplicação originais
Pintura sem cabine pressurizada
A maioria dos carros antigos foi pintada:
Em áreas abertas ou galpões
Sem controle rígido de poeira
Com variação de temperatura e umidade
Isso gerava:
Leve casca de laranja
Pequenas variações de tom
Imperfeições consideradas normais
Demãos múltiplas e lixamento entre camadas
Era comum aplicar várias camadas finas, com lixamento intermediário, para:
Melhorar aderência
Corrigir irregularidades
Uniformizar o acabamento
Brilho: menos é mais
Um erro comum em restaurações modernas é o excesso de brilho.
Pinturas originais apresentavam:
Brilho mais suave
Menor profundidade espelhada
Aparência “acetinada” após alguns meses de uso
O polimento final deve ser controlado, respeitando o padrão da época.
Cores e códigos originais
Fabricantes utilizavam paletas específicas, muitas vezes exclusivas de determinados anos e modelos.
Consultar catálogos originais
Analisar áreas protegidas do carro (interior de portas, cofre do motor)
Usar espectrofotometria apenas como apoio, nunca como referência absoluta
Verniz: quando NÃO usar
A maioria dos carros antigos não utilizava verniz como conhecemos hoje.
Aplicar verniz moderno:
Altera o aspecto original
Muda a reflexão da luz
Diminui autenticidade em avaliações de coleção
Somente veículos que originalmente já usavam sistemas bicamada devem receber verniz.