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TÉCNICAS DE PINTURA ORIGINAL EM CARROS ANTIGOS
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 08/01/2026 08:41
Carro do dia

 

Como Preservar

 

 

Autenticidade e Valor Histórico

A pintura de um carro antigo não é apenas estética. Ela representa identidade histórica, valor de coleção e fidelidade ao período de fabricação. Diferente da pintura automotiva moderna, os veículos clássicos utilizavam materiais, processos e acabamentos específicos, que hoje exigem técnicas especializadas para serem reproduzidos com precisão.


O que é pintura original em carros antigos?

Pintura original é aquela que respeita fielmente:

• O tipo de tinta utilizado na época

O método de aplicação

• O acabamento final (brilho, textura, espessura)

• As imperfeições naturais do processo antigo

Em muitos casos, uma pintura “perfeita demais” reduz o valor histórico do veículo.

Tipos de tintas utilizadas originalmente

 

1. Laca nitrocelulose

Muito comum até os anos 1950/60.


Características:

Secagem rápida por evaporação

Brilho menos profundo

• Necessidade de várias demãos

• Menor resistência química



Aplicação original:

• Pistolas simples

• Polimento manual após cura

• Aparência mais “viva”, porém menos uniforme

• Hoje, essa tinta é difícil de encontrar e regulamentada em muitos países, sendo usada apenas em restaurações especializadas.


 2. Esmalte sintético

Predominante entre as décadas de 1960 e 1980.


 Características:

• Cura mais lenta

Brilho moderado

Boa resistência mecânica

Espessura maior por demão

Técnica clássica:

Aplicação mais “carregada”

Nivelamento natural durante a cura

Menor necessidade de verniz



3. Acrílico monocamada

Usado principalmente a partir do final dos anos 1970.


Características:

Brilho superior ao esmalte

Sem verniz separado

Polimento como etapa essencial

Muito confundido com sistemas modernos, mas possui comportamento bem diferente dos PU atuais.


Preparação de superfície: o segredo invisível

Nos carros antigos, a preparação era menos padronizada que hoje, mas extremamente manual.

Decapagem química ou lixamento direto no metal

Uso de fundos fosfatizantes ou primers simples

Correções de funilaria com solda e estanho (não massa plástica moderna)

A fidelidade exige evitar materiais que não existiam na época, sempre que possível.


Técnicas de aplicação originais

Pintura sem cabine pressurizada

A maioria dos carros antigos foi pintada:

Em áreas abertas ou galpões

Sem controle rígido de poeira

Com variação de temperatura e umidade

Isso gerava:

Leve casca de laranja

Pequenas variações de tom

Imperfeições consideradas normais

Demãos múltiplas e lixamento entre camadas
Era comum aplicar várias camadas finas, com lixamento intermediário, para:

Melhorar aderência

Corrigir irregularidades

Uniformizar o acabamento

Brilho: menos é mais


Um erro comum em restaurações modernas é o excesso de brilho.
Pinturas originais apresentavam:

Brilho mais suave

Menor profundidade espelhada

Aparência “acetinada” após alguns meses de uso

O polimento final deve ser controlado, respeitando o padrão da época.


Cores e códigos originais


Fabricantes utilizavam paletas específicas, muitas vezes exclusivas de determinados anos e modelos.

Consultar catálogos originais

Analisar áreas protegidas do carro (interior de portas, cofre do motor)

Usar espectrofotometria apenas como apoio, nunca como referência absoluta

Verniz: quando NÃO usar


A maioria dos carros antigos não utilizava verniz como conhecemos hoje.
Aplicar verniz moderno:

Altera o aspecto original

Muda a reflexão da luz

Diminui autenticidade em avaliações de coleção

Somente veículos que originalmente já usavam sistemas bicamada devem receber verniz.

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