
1. O policial que virou escritor
Rubem Fonseca nasceu em 1925, em Juiz de Fora. Antes de virar o mago do conto urbano, foi delegado e comissário de polícia. Sim, ele conhecia o submundo de perto. Não precisava inventar muita sombra, só observava.
2. A cidade como personagem
Nos anos 1960, ele começou a publicar e trouxe algo diferente: o Rio de Janeiro cru, com cheiro de asfalto quente e gente tentando sobreviver nos cantos não turísticos. Suas histórias pareciam tiradas de um beco depois da chuva.
3. A palavra como lâmina
Fonseca escrevia com frases curtas que cortavam como vidro. Nada de enfeite. Ele criou um jeito de narrar que virou escola: seco, direto, violento quando precisava ser, mas cheio de humanidade.
4. O homem que evitava holofotes
Apesar do sucesso, ele era quase um fantasma na mídia. Não dava entrevistas, não gostava de fotos, não curtia palco. Preferia deixar que os livros se virassem sozinhos.
5. O rei do conto brasileiro moderno
Com obras como Feliz Ano Novo, Lúcia McCartney e O Cobrador, ele virou referência absoluta. Era como se pudesse transformar qualquer cena comum em um tiro narrativo.
6. A censura bateu na porta
Durante a ditadura militar, Feliz Ano Novo foi proibido. “Ofensa à moral”, disseram. Fonseca seguiu escrevendo, sem se dobrar. A censura passou. Os livros ficaram.
7. O romance também o chamou
Embora fosse mestre do conto, ele também brilhou no romance. Agosto virou clássico instantâneo, misturando história política do Brasil com um suspense que anda com passos silenciosos.
8. O Prêmio Camões e o legado gigante
Em 2003, ganhou o maior prêmio da literatura em língua portuguesa. E deixou uma geração inteira de autores com vontade de escrever histórias que respirassem realidade, e não pose.
9. Silêncio até o fim
Rubem Fonseca morreu em 2020, aos 94 anos, ainda ativo, ainda criando. Saiu da vida como viveu: discreto, elegante, quase invisível, mas com uma obra que continua rugindo no ouvido de quem lê.