
O pedido de desculpa do Oscar à atriz indígena que recusou prêmio por Marlon Brando
A 45a edição do Oscar, o principal reconhecimento da indústria cinematográfica, ocorreu em 1973.
A cerimônia já tinha potencial para ser memorável devido à vitória de "O Poderoso Chefão", considerado até hoje um dos maiores filmes de todos os tempos.
O discurso de Marlon Brando, vencedor do prêmio de Melhor Ator pela sua atuação no filme vencedor da noite como o líder da máfia Vito Corleone, tornou o evento ainda mais impactante.
O ator não aceitou a estatueta, que já havia conquistado em 1955 pelo filme "Sindicato de Ladrões".
A sua recusa foi uma forma de protestar contra a distorção
que a indústria do cinema de Hollywood fez das populações indígenas americanas.
Para tal, ele designou a atriz nativa Sacheen Littlefeather para fazer seu discurso em seu lugar.
Discurso
O Oscar de 1973 foi assistido por 85 milhões de pessoas, que viram a fala histórica de Sacheen Littlefeather.
No discurso, onde a atriz afirmou que Brando
"lamentavelmente não podia aceitar este prêmio tão generoso", ela fez referência ao conflito violento de Wounded Knee, entre agentes federais do governo dos EUA e o povo Sioux, do estado da Dakota do Sul, episódio recente na época.
A fala da atriz indígena foi o primeiro discurso abertamente político transmitido no Oscar.
Ela precisou sair do palco escoltada por dois seguranças.
Após esse acontecimento, Sacheen Littlefeather foi ignorada pela indústria do cinema e, segundo a BBC, foi alvo de gestos humilhantes para os nativos americanos, como o "tomahawk chop", durante a premiação, e sofreu com notícias falsas, questionando sua etnia e alegando que ela era amante de Brando, o que a atriz negou.
Pedindo desculpas
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pediu desculpas a Sacheen Littlefeather numa carta divulgada em agosto de 2022, quase 50 anos depois do incidente na premiação, dizendo que os abusos que a atriz sofreu foram "injustificados".
David Rubin, que é ex-presidente da Academia, enviou uma carta a Littlefeather, divulgada em agosto de 2022, onde escreveu que o discurso dado pela atriz "continua a nos lembrar da necessidade do respeito e da importância da dignidade humana".
Sobre o pedido de desculpas, Littlefeather
disse ao Hollywood Reporter que nunca pensou "que viveria para ver o dia em que ouviria isso".