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1973- MARLON BRANDO RECUSA O OSCAR DE MELHOR ATOR NO FILME THE GODFATHER
Por discordar do tratamento dado pelo cinema, televisão e pelo seu país aos índios Sioux
Por Susi Hellen Spindola
Publicado em 27/03/2025 08:00
Curiosidades

 

O pedido de desculpa do Oscar à atriz indígena que recusou prêmio por Marlon Brando

 

A 45a edição do Oscar, o principal reconhecimento da indústria cinematográfica, ocorreu em 1973.

A cerimônia já tinha potencial para ser memorável devido à vitória de "O Poderoso Chefão", considerado até hoje um dos maiores filmes de todos os tempos.

O discurso de Marlon Brando, vencedor do prêmio de Melhor Ator pela sua atuação no filme vencedor da noite como o líder da máfia Vito Corleone, tornou o evento ainda mais impactante.

O ator não aceitou a estatueta, que já havia conquistado em 1955 pelo filme "Sindicato de Ladrões".

A sua recusa foi uma forma de protestar contra a distorção 

que a indústria do cinema de Hollywood fez das populações indígenas americanas.

Para tal, ele designou a atriz nativa Sacheen Littlefeather para fazer seu discurso em seu lugar.

  

Discurso

 

O Oscar de 1973 foi assistido por 85 milhões de pessoas, que viram a fala histórica de Sacheen Littlefeather.

No discurso, onde a atriz afirmou que Brando 

 

"lamentavelmente não podia aceitar este prêmio tão generoso", ela fez referência ao conflito violento de Wounded Knee, entre agentes federais do governo dos EUA e o povo Sioux, do estado da Dakota do Sul, episódio recente na época.

 

A fala da atriz indígena foi o primeiro discurso abertamente político transmitido no Oscar.

Ela precisou sair do palco escoltada por dois seguranças.

 

Após esse acontecimento, Sacheen Littlefeather foi ignorada pela indústria do cinema e, segundo a BBC, foi alvo de gestos humilhantes para os nativos americanos, como o "tomahawk chop", durante a premiação, e sofreu com notícias falsas, questionando sua etnia e alegando que ela era amante de Brando, o que a atriz negou.

 

Pedindo desculpas

 

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pediu desculpas a Sacheen Littlefeather numa carta divulgada em agosto de 2022, quase 50 anos depois do incidente na premiação, dizendo que os abusos que a atriz sofreu foram "injustificados".

David Rubin, que é ex-presidente da Academia, enviou uma carta a Littlefeather, divulgada em agosto de 2022, onde escreveu que o discurso dado pela atriz "continua a nos lembrar da necessidade do respeito e da importância da dignidade humana".

 

Sobre o pedido de desculpas, Littlefeather

disse ao Hollywood Reporter que nunca pensou "que viveria para ver o dia em que ouviria isso".

 

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